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O uso do cinto lombar no trabalho, tem sido uma prática quase que comum nas empresas e direcionado àquelas atividades profissionais caracterizadas, predominantemente, pelo levantamento e transporte manual de carga. Um acessório que tem por objetivo ajudar na estabilização da coluna lombar durante o esforço ao levantar/carregar um peso manualmente no trabalho.

Mesmo com essas designações, entregar o cinto lombar para qualquer pessoa, e sem considerar as amplas e complexas variáveis, pode desencadear graves complicações à segurança e saúde do trabalhador, e eminente risco de morte. E por que?

Primeiramente, é preciso destacar que o cinto lombar não é um Equipamento de Proteção Individual ou Coletivo (EPI / EPC), e sim um acessório que em alguns casos, pode ser indicado para o trabalho, mas não para qualquer trabalhador.

Trata-se de um cinturão de aproximadamente 20 cm de largura, confeccionado de tecido incutido em fibras elásticas de considerada tensão, ajustado por correias tensionadoras adicionais e que deve ser colocado de forma a sobrepor a região lombar – L1 a L5 – transpassando a região abdominal.

É fato que funcionalmente, o cinto lombar tem seu significado direcionado à contribuição para a estabilidade da coluna lombar, de modo a auxiliar a cadeia muscular localizada, recrutada na atividade de levantamento e sustentação da carga, além de oferecer resistência a flexão da lombar, o que reduziria a sobrecarga sobre os discos intervertebrais desta região, quando analisado sob os aspectos biomecânicos e cinesiológicos.

Mesmo que em alguns modelos teóricos isso pareça possível, pesquisas científicas ainda não concluíram eficácia significativa do uso do cinto lombar, principalmente na redução de lombalgias, ciatalgias e hérnias de discos.

Outro problema é a falsa sensação de segurança – efeito placebo – que o acessório pode oferecer ao trabalhador, e a confiança em empregadores e gestores de SST e/ou RH de que, ao distribuir indiscriminadamente o cinto lombar, representaria um ato de preservação à segurança e saúde do trabalhador.

Só por isso, a indicação, entrega e uso do cinto lombar precisaria ser balizado por critérios técnicas de funcionalidade, segurança e saúde do trabalhador. Mas não o bastante, existe um outro problema ainda mais grave, e pouquíssimas vezes considerado, que é a pressão exercida sobre o abdômen do trabalhador.

Além de sobrepor a região lombar, o cinto lombar precisa ser tensionado, ajustado e travado de modo a transpassar a região da cintura, o que por sua vez, exercerá uma compressão à região abdominal, de modo a implicar em um aumento da pressão intra-abdominal, limitando o fluxo sanguíneo e o funcionamento dos órgãos desta região, além de aumentar o risco para problemas cardiocirculatórios, como hipertensão arterial e infarto do miocárdio.

Ao realizar uma atividade de levantamento de uma carga, geralmente pesada, é normal ao indivíduo “travar” sua respiração, uma técnica respiratória chamado de manobra de valsalva, a qual pode ser considerada quase que um ato instintivo e protetor de órgãos e estruturas que compõem a região torácica, entre elas, a própria coluna.

No entanto, este mecanismo respiratório, também acarreta um aumento da pressão interna do corpo, neste caso, à região torácica, oferecendo resistência cardíaca e circulatória, o que implica para um aumento da pressão arterial de forma considerável, principalmente quando acrescido por um esforço físico intenso, como aquele ao realizar um levantamento e sustentação manual de uma carga.

Trata-se de uma pressão e resistência significativa, que em alguns casos, a manobra de valsalva é induzida em exames cardiológicos, a fim de detectar insuficiência cardíaca ou presença de sopro no coração.

Neste caso, existe uma pressão torácica e abdominal de ordem funcional aumentada, ou seja, realizada pelo trabalhador para exercer o esforço, mas também uma pressão mecânica na região abdominal advinda do cinto lombar, a qual pode ser ainda mais valorizada, quando o trabalhador é obeso e/ou possuir um volume abdominal considerável.

O cinto lombar não é um equipamento que deve ser entregue ao trabalhador de forma indiscriminada e aleatória, como um ato de boa vontade ou como uma simples política institucional/empresarial que supostamente foi pensada no trabalhador.

Antes de comprar, entregar e permitir o uso do cinto lombar dentro da empresa ou de uma situação de trabalho, vale a pena, refletir sobre algumas questões:

 

  • Para que serve o cinto lombar no trabalho?
    R: É um acessório, não um EPI, que visa contribuir para a estabilização da coluna lombar durante o levantamento, sustentação e transporte manual de carga.
  • Qualquer pessoa pode usar o cinto lombar?
    R: Não! Pessoas hipertensas, com doenças cardíacas e vasculares, problemas e disfunções em órgãos e tecidos da região abdominal, trabalhadores com excesso de peso e obesos são, exemplos de algumas condições clínicas e morfológicas não recomendáveis, para o uso do cinto lombar.
  • Quando o uso do cinto lombar é indicado?
    R: Inicialmente, deve-se deixar bem claro que o seu uso pode ser indicado para a atividade, mas não para qualquer trabalhador. Neste caso, além de medidas de avaliação das próprias condições de trabalho por um ergonomista especializado, também se faz necessário, a avaliação médica para cada trabalhador.
  • O cinto lombar elimina o fator de risco, presente na situação de trabalho?
    R: Não! Se o apontamento para o uso deste acessório é centrado para uma situação de trabalho, onde está presente o fator de risco levantamento e transporte manual de carga, o cinto lombar não elimina ou atenua essa condição, pelo contrário, acaba por criar outros perigos e riscos no trabalho que deverão ser considerados, avaliados e gerenciados. 
  • Como saber se o cinto lombar é recomendado para uma atividade em específico?
    R: Não é uma questão de qual atividade, mas para quem pode ser entregue o cinto lombar e para qual finalidade, se for para ficar sentado, por exemplo, jamais!
  • Quais os cuidados durante o uso do cinto lombar?
    1. Usá-lo apenas, durante a(s) atividade(s) de levantamento e movimentação manual de carga;
    2. O cinto lombar não garante mais força ao trabalhador ao levantar uma carga;
    3. Ajustar o cinto conforme as orientações de uso do fabricante;
    4. Aguardar pelo menos 1 horas, após as principais refeições, para utilizá-lo;
    5. Garantir que o trabalhador aprendeu corretamente como usar o cinto lombar;
    6. Usar o cinto lombar por cima das vestimentas;
    7. Adotar posturas adequadas para o levantar de uma carga, conforme determinado em treinamento;
    8. Não permanecer sentado e/ou agachado com o cinto lombar preso na cintura;
    9. Mantenha a constante supervisão do uso correto do cinto lombar;
    10. O uso do cinto lombar, não isenta o treinamento de levantamento e transporte manual de carga, obrigatório, determinado pela legislação trabalhista.

Sobre o autor

Anderson Rodrigues Freitas

Graduado em Educação Física. Mestre em ciências pelo Hospital de Câncer de Barretos (Hospital de Amor). Especialista em Ergonomia (Senac-SP – campus Ribeirão Preto). Professor convidado do curso de Pós-graduação em Ginástica Laboral e Ergonomia (FMU). Profissional Delegado do Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo (CREF4/SP). Diretor Administrativo da Associação Brasileira de Ginástica Laboral (ABGL). Membro do Conselho Editorial da Revista Preven. CEO e Diretor Técnica da Ergo Company.

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